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Em fevereiro de 2015, o engenheiro Julio Bueno deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econmico do Rio para assumir a Fazenda estadual, pasta que j enxergava os primeiros sinais do caos econmico que o Rio viveria nos anos seguintes.

Ao assumir o cargo, soube que as contas do Estado chegariam ao fim daquele ano com um rombo de R$ 13,5 bilhes, resultado da queda abrupta de receitas provocada pela crise econmica e pela bancarrota da Petrobras.

“Que tragdia, hein?”, foi o comentrio que fez, logo aps sua primeira reunio no cargo, com a jornalista Jacqueline Farid, que levou consigo para assumir a rea de comunicao da Fazenda, ainda no estacionamento do edifcio onde est baseada a secretaria, no centro do Rio.

Esse o ponto de partida de “Rio em Transe”, livro em que os dois buscam explicar como o Estado chegou a essa situao e como foram definidas as estratgias para tentar enfrentar o caos.

Pouco mais de seis meses aps a Copa do Mundo e em meio aos preparativos para a Olimpada, Bueno assumiu o cargo j com a misso de definir quem deixaria descoberto, situao que se agravou nos anos seguintes, com sucessivos atrasos de salrios e de faturas de fornecedores.

Por isso, brincava que era o “capito do Titanic”: no projetou o navio nem colocou o iceberg na rota, mas iria responder pelo naufrgio, que culminou com o acordo de socorro assinado com a Unio em setembro de 2017.

O livro dividido em duas partes. Na primeira, Farid conta bastidores da ao do governo e sua relao com outros pblicos, como a imprensa, economistas e os servidores estaduais, principais vtimas do processo.

Na segunda, o ex-secretrio lana mo de tabelas e grficos para defender que a crise no poderia ter sido evitada, mesmo que prevista com antecipao, diante da inflexibilidade na gesto do Oramento estadual, amarrado em salrios, aposentadorias e despesas obrigatrias.

Bueno tenta desconstruir vises sobre o impacto dos incentivos fiscais e da dependncia do petrleo, criticadas por economistas e pela oposio ao governo estadual, no aprofundamento da crise.

Defende tambm que a corrupo das lideranas polticas locais no teve impacto no cenrio, misso ingrata em um Estado que teve trs ex-governadores (Anthony e Rosinha Garotinho e Srgio Cabral) e dois ex-comandantes do Legislativo (Jorge Picciani e Paulo Melo, ambos do MDB) presos nos ltimos anos.

REFORMAS

Em sua concluso, a obra lana um debate oportuno sobre a necessidade de reforma das Previdncias estaduais e da reviso do pacto federativo estabelecido pela Constituio de 1988 –que, para Bueno, desequilibra as relaes entre Estados e Unio.

No Rio, diz ele, a Previdncia deve consumir R$ 18 bilhes do Tesouro estadual em 2018, entre a contribuio patronal de R$ 5 bilhes e a cobertura do rombo, de R$ 13 bilhes. Por isso, acredita que o socorro federal no resolve os problemas de longo prazo.

Nem do Rio nem de outros Estados, considerando que 23 unidades da Federao devem fechar as contas de 2017 com deficit previdencirio somado de R$ 87 bilhes. Apenas em So Paulo, o mais rico da Federao, o rombo deve ser de R$ 19 bilhes.

“Se nada for feito, todos quebraro”, conclui o ex-secretrio de Fazenda, que deixou o cargo em julho de 2016, pouco depois de o governo estadual decretar calamidade financeira para conseguir recursos da Unio para garantir os Jogos Olmpicos.

Rio em Transe
QUANTO: R$ 40 (248 PGS.)
AUTOR: JULIO BUENO E JACQUELINE FARID
EDITORA: CASA DO ESCRITOR



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