Com a queda da taxa básica de juros, muitos investidores têm corrido para aplicações mais arriscadas com receio de que o CDI atual não seja capaz de superar até mesmo a inflação. O movimento de diversificação é adequado para o momento, mas deve ser feito respeitando o perfil do investidor, pois o receio de que a inflação supere o CDI não é justificado.

Ao contrário do que muitos imaginam, nos últimos treze anos, apenas em 2015 a inflação medida pelo IPCA, quando atingiu 10,67%, superou o CDI atual de 6,89% ao ano. Nesse mesmo período, a variação do IPCA foi superior a 6,0% ao ano em apenas quatro anos. Quando consideramos janelas de 12 meses e o período desde 1999, apenas em poucos momentos o IPCA passado supera o CDI atual (ver gráfico abaixo).

Observando o gráfico abaixo, verifica-se que no passado, o CDI sempre superou o IPCA desde 1999 quando iniciou o regime de metas de inflação do Banco Central do Brasil (BC). O BC ao cumprir a meta a que se propõe, elevou a taxa Selic para frear os impulsos inflacionários passados. Logo, se eventualmente houver uma alta no IPCA no futuro, o BC deve prontamente elevar os juros e o CDI não perderá da inflação.

Evolução do CDI e do IPCA acumulados de doze meses desde 1999, e o CDI atual de 6,89% ao ano na linha pontilhada (Fonte: Economatica).

Desde o início dessa coluna, em agosto do ano passado, tenho sugerido aos investidores a diversificação em ativos de maior risco ou de prazo mais longo. Entretanto, saliento que esse movimento deve considerar tanto o perfil do investidor quanto o objetivo de utilização do valor aplicado.

Assim, mesmo que seu perfil seja agressivo, se vai precisar dos recursos em menos de um ano, não é adequado o investimento em bolsa. E caso seu perfil seja conservador, modere o investimento de risco, pois pode não suportar uma queda forte da bolsa que periodicamente ocorre, mesmo quando essa está em tendência ascendente.

Mesmo com a queda da taxa de juros, as aplicações referenciadas ao CDI vão continuar fazendo parte de seu portfólio sendo você um investidor agressivo ou conservador. Entretanto, o atual nível das taxas de juros demanda do investidor uma maior dedicação na pesquisa e planejamento para aplicar seus recursos de forma mais eficiente.



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