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A concentrao de renda no topo da pirmide social maior no Brasil do que em muitos pases ricos, mas ela tem crescido mais aceleradamente na China, na Rssia e na ndia, segundo um novo relatrio sobre a desigualdade no mundo que ser divulgado nesta quinta-feira (13).

Produzido por um grupo de pesquisadores liderado pelo economista francs Thomas Piketty, o relatrio baseado nas concluses de estudos realizados no Brasil e em outros pases na esteira da publicao de “O Capital no Sculo 21”, livro de Piketty que se tornou sucesso de vendas mundial h trs anos.

O relatrio, que ser divulgado na abertura de uma conferncia de dois dias em Paris, diz que a metade mais pobre da populao mundial viu sua renda crescer de forma significativa nas ltimas trs dcadas, mas sugere que uma elite formada por 1% dos habitantes do planeta ficou com um pedao maior da riqueza produzida no perodo.

Segundo o relatrio, os 50% mais pobres se apropriaram de 12% do crescimento de renda observado no mundo desde 1980, graas especialmente ao crescimento acelerado da China e da ndia. Enquanto isso, o 1% mais rico ficou com 27% do aumento da renda mundial no perodo, dizem os economistas.

Os clculos do grupo de Piketty sugerem que a fatia da renda mundial apropriada pelo 1% mais rico cresceu de 16% para 22% entre 1980 e 2015, enquanto o pedao dividido pelos 50% mais pobres aumentou de 8% para 10%.

Como a renda cresceu nos dois extremos, outro efeito desse processo foi um encolhimento da fatia apropriada pela classe mdia, um fenmeno que atingiu especialmente os Estados Unidos e a Europa, segundo o relatrio.

O PEDA

Os estudos em que se baseia o relatrio recorrem a diferentes estatsticas para buscar um retrato mais completo da distribuio da renda do que o oferecido por pesquisas tradicionais, que so alimentadas por entrevistas em que as pessoas tendem a subestimar a prpria renda.

Os pesquisadores do grupo de Piketty tm recorrido a dados como os do Imposto de Renda em seus estudos, mas a qualidade das informaes disponveis varia muito de pas para pas e isso dificulta comparaes internacionais como a feita pelo relatrio.

“Nossa metodologia consistente e nos permite apresentar uma radiografia mais precisa da desigualdade”, disse Lucas Chancel, colega de Piketty na Escola de Economia de Paris e no grupo responsvel pelo relatrio.

No caso do Brasil, o documento se baseia num estudo publicado em setembro por outro discpulo de Piketty, o irlands Marc Morgan. O trabalho gerou controvrsia ao sugerir que a desigualdade no pas muito maior do que outras pesquisas indicam, apesar dos avanos sociais observados nos ltimos anos.

Segundo os clculos de Morgan, os 10% mais ricos no Brasil ficam com 55% da renda nacional. O grupo correspondente na ndia se apropria de fatia semelhante, mas o pedao dos mais ricos menor na China (41%) e na Rssia (46%), de acordo com o relatrio do grupo de Piketty.

Para os autores do documento, o fato de a concentrao de renda no topo ter permanecido estvel no Brasil e aumentado em outras economias emergentes nos ltimos anos reflete as diferenas entre as polticas adotadas pelos governos desses pases.

O relatrio defende a adoo de regimes tributrios progressivos, que aumentem a carga de impostos sobre a renda dos ricos e heranas, alm de polticas que aumentem o acesso dos mais pobres a educao de qualidade e a representao dos trabalhadores nos conselhos de administrao das empresas.



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