Deputado e empresário são acusados de liderar esquema desbaratado na Operação Rêmora

O Ministério Público Estadual (MPE) afirmou que negociações mantidas entre o deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) e o empresário Alan Malouf permitiam o controle sobre um cargo estratégico dentro do suposto esquema de cobrança de propina na Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

 

A acusação está contida na denúncia contra o parlamentar, ingressada junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso nesta quarta-feira (11).

 

Na denúncia, o deputado e o empresário – que é réu confesso – são apontados como os principais articuladores das exigências de propina a empresários em troca do oferecimento de contratos na Seduc e da liberação de valores relativos a medições de obras.

 

Conforme o MPE, o deputado e seu primo tinham domínio sobre o cargo de superintendente de acompanhamento e monitoramento da estrutura escolar da Seduc.

 

As tratativas coordenadas de Alan Ayoub Malouf e Guilherme Antônio Maluf garantiram a ‘circunscrição’ sobre o cargo – posto estratégico dentro da SEDUC/MT que garante o mecanismo de pressão sobre os empreiteiros para pagamento da propina

“As tratativas coordenadas de Alan Ayoub Malouf e Guilherme Antônio Maluf garantiram a ‘circunscrição’ sobre o cargo – posto estratégico dentro da SEDUC/MT que garante o mecanismo de pressão sobre os empreiteiros para pagamento da propina”, diz trecho da denúncia.

 

Ainda segundo o MPE, além de possibilitar a pressão, tal cargo permitia o controle sobre os pagamentos das vantagens indevidas.

 

Para ocupar este cargo apontado como estratégico, conforme o MPE, foram realizadas  as nomeações dos servidores Wander Luiz dos Reis e Moises Dias da Silva.

 

“Os autos apontam, ainda, que em atuação similar à de Alan Malouf, Guilherme Antônio Maluf além de ter garantido à colocação de Wander Luiz dos Reis no cargo de Superintendente de Acompanhamento e Monitoramento da Estrutura Escolar, da Seduc, cujas atribuições, conforme já narrado, serviam à engrenagem de solicitação e recebimento de propina, seria destinatário de farta fatia da propina eventualmente recebida”, cita o Ministério Público.

 

Consta ainda na denúncia, que em razão de exercer o cargo de deputado estadual, Maluf conseguia figurar como um dos líderes do esquema criminoso.

 

“Revelam os autos que Guilherme Antônio Maluf concorre para as atividades da organização criminosa no mesmo modelo em que se dá a concorrência de Alan Malouf, pois exercendo mandato de Deputado Estadual em Mato Grosso na atual legislatura (2015-2019), sendo certo que também o exerceu na 16ª (2007-2011) e 17ª (2011-2015) legislaturas, integra o núcleo de liderança da organização criminosa, sendo beneficiário direto de parcela da propina arrecadada”.

 

“Além de, valendo-se dos enlaces políticos proporcionados pelo cargo eletivo por ele ocupado, fazer as articulações necessárias para o desenvolvimento dos esquemas criminosos engenhados para solicitar e receber propina”, acrescenta o MPE.

 

Também conforme a denúncia, a investigação revela que toda a “engrenagem criminosa” desbarata na Operação Rêmora “tem sua dinâmica garantida por Alan e Guilherme, pessoas que se encarregam das tratativas necessárias ao funcionamento do esquema ilícito da SEDUC/MT”.

 

Outro lado

 

Por meio de nota, Maluf negou participação no esquema e disse receber com “estranheza” a denúncia. Leia abaixo a nota na íntegra:

 

“O deputado estadual Guilherme Maluf disse, através de sua assessoria, que recebeu com estranheza a denúncia do MPE, já que durante toda a investigação não foi apresentada nenhuma prova contra ele.

 

O deputado contesta com veemência a tese de ‘embaraçamento’ da investigação ou tentativa de intimidação de qualquer dos acusados, argumento falso utilizado por um deles para sair da cadeia.

 

Ele assegura que forneceu ao MPE todas as informações solicitadas e continua à disposição para qualquer esclarecimento.

 

O deputado Guilherme Maluf reafirma que não tem envolvimento com qualquer possível irregularidade ocorrida na secretaria de Educação e que confia na justiça, onde provará sua inocência.”

Midia News

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