Quando se fala em investimento financeiro, o investidor tem uma preferência irracional por liquidez diária, ou seja, a capacidade de resgatar imediatamente o investimento. A irracionalidade da preferência se dá por dois motivos. Investimentos menos líquidos, mesmo com risco similar, usualmente proporcionam um maior retorno. O segundo motivo é o fato de o investimento preferido ser imóveis, que não possuem liquidez e possuem retorno pior que vários investimentos financeiros de menor risco e maior liquidez. Incoerentemente, a predileção pela liquidez se dá apenas em investimentos financeiros.

A manutenção de liquidez nos investimentos financeiros usualmente é atribuída a três fatores: uso em emergência, aproveitamento de oportunidades e medo de possíveis mudanças econômicas. Há mais de 20 anos, com o início do plano Real em 1994, vivemos um ambiente de relativa estabilidade econômica. Portanto, essa última justificativa para manutenção de liquidez diária não deveria se sustentar. Antes de abordar as duas primeiras razões, vou comentar sobre o custo da preferência por liquidez diária.

A liquidez diária tem um custo pelo não aproveitamento de melhores retornos que podem ser obtidos com aplicações em produtos de maior carência. Por exemplo, para o mesmo emissor de um Certificado de Depósito Bancário (CDB) de um banco médio, o investidor pode ganhar 100% do CDI com liquidez diária, ou 115% do CDI com carência de dois anos. Uma carência de dois anos significa que o aplicador não pode efetuar resgate nesse prazo.

Assumindo o CDI atual de 8,14% ao ano, essa diferença de 15% do CDI entre os CDBs significa uma diferença de retorno de 1,22% a mais para o CDB que rende 115% do CDI. No curto prazo, essa diferença parece não representar muito. Entretanto, quando acumulada ao longo dos anos essa pequena diferença pode representar um valor acumulado de mais de 40%.

O gráfico abaixo mostra a evolução de uma aplicação de R$50 mil nos dos CDBs acima por 30 anos. O investimento no CDB que rende 100% do CDI, depois de 30 anos, vai se valorizar para R$523 mil. Enquanto os R$50 mil CDB a 115% do CDI, se valorizar para R$744 mil, ou seja, uma diferença de R$221 mil, que representa mais de 40% de diferença.

O gráfico apresenta a evolução de um investimento de R$50 mil aplicados em um CDB que rende 100% do CDI e outra que rende 115% do CDI. Considerou-se o CDI atual de 8,14% ao ano.O gráfico apresenta a evolução de um investimento de R$50 mil aplicados em um CDB que rende 100% do CDI e outra que rende 115% do CDI. Considerou-se o CDI atual de 8,14% ao ano.

Esse é um simples exemplo, mas já ilustra como sua preferência por manter investimentos com liquidez diária pode fazer uma grande diferença em sua aposentadoria. Sabendo desse custo, vamos abordar as duas outras justificativas para manter liquidez diária.

Com relação a emergência, acredito que a manutenção de um valor equivalente a três meses da renda mensal já é suficiente. Com um bom planejamento e o escalonamento de vencimentos de aplicações, será possível ter investimentos vencendo a cada seis meses, permitindo o aproveitamento de maiores retornos.

Explicando a segunda razão de aproveitamento de oportunidades, é possível afirmar que essas oportunidades de investimento que irão proporcionar a diferença de 40% mencionada acima são muito menos frequentes do que se imagina. Adicionalmente, estudos mostram que a maior diferença de retornos dos portfólios está na decisão estratégica de longo prazo, e não na decisão tática de curto prazo.

Portanto, com um bom planejamento financeiro, o investidor poderá manter em liquidez diária apenas o necessário e, assim, poderá aproveitar de forma mais eficiente os benefícios de aplicações com maior prazo.



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