Motoristas do transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande ameaçam fazer greve, dentro de uma semana, se as negociações com o empresariado do setor não avançarem na campanha salarial deste ano.

Marcus Vaillant

Última greve foi em 2015 e durou 3 dias

A categoria, que tem 2.300 integrantes, na condução de 560 coletivos, reivindica 15% de reajuste salarial e plano de saúde. Alega que o salário está defasado e que a rotina de motorista, em meio ao trânsito caótico, faz muitos adoecerem principalmente com problemas ergonômicos e emocionais.

“O nosso salário é de R$ 2.180, para jornada de 7 horas. Com o reajuste reivindicado, subiria para R$ 2.507. Agora quanto ao plano de saúde, faz 31 anos, desde o início da nossa entidade de classe, que reivindicamos isso e toda vida temos que tratar nossas doenças na saúde pública”, reclama o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários da Baixada Cuiabana (Sintrobac), Ledevino da Conceição.

O empresariado aceita paga 50% do valor do plano privado, mas em contrapartida os trabalhadores devem abrir mão de dois benefícios – apoio funeral e fundo social – que juntos somam R$ 68. “Só iam pagar de fato R$ 12”, rechaça Ledevino.

Após 3 rodadas de negociação, sem avanços, a classe levou o problema aos vereadores de Cuiabá, que pediram 7 dias para tentar um diálogo com a Associação Matogrossense dos Transportadores Urbanos (MTU).

O presidente Ledevino informa que vão esperar esse período e, se mesmo assim nada mudar, vão chamar assembleia geral para dia 9 de junho.

A última greve dos condutores de coletivos ocorreu em 2015. Foram 3 dias de confusão no trânsito em Cuiabá.

Segundo Ledevino, a cada dia de paralisação os empresários perdem algo em torno de R$ 1 milhão, já que circulam nas duas cidades cerca de 300 mil passageiros pagando R$ 3,60 ou R$ 4,20, se usar linhas intermunicipais.

Ainda de acordo com ele, ano passado as partes fecharam acordo em clima de acirramento. O empresariado concedeu a inflação do período mais 1% de ganho real.

Depois disso, em outras negociações fora da data base, segundo ele, nada avançou.

Por meio de nota a MTU alega que “as empresa dos transporte coletivo de Cuiabá não conseguiram identificar possibilidade de reajuste do salário dos motoristas por absoluta falta de recursos a mais para bancar o custo do sistema de transporte coletivo este ano, já que também não houve reajuste tarifário”.

Ao assumir a Prefeitura de Cuiabá, em 1 de janeiro deste ano, o prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB), já nos primeiros dias de gestão, afirmou que não autorizaria o reajuste nas tarifas enquanto as empresas não melhorassem os serviços prestados.

É que usuários mostram-se insatisfeitos com os serviços prestados por três empresas concessionárias: Pantanal Transportes, Expresso NS e Integração Transportes, além da União Transportes, em VG.

Em agosto do ano passado, auditores fiscais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), divulgaram resultado de pesquisa com cerca de 400 usuários do transporte coletivo das duas cidades. Eles criticaram principalmente a idade avançada da frota, o descumprimento de horários nos pontos de ônibus e na viagem entre a origem e o destino, além da falta de segurança.

A atual concessão do transporte público foi licitada em 2002, porém, os contratos começaram a vigorar em junho de 2004 com prazo de 10 anos. Desde que venceu, vem sendo ampliado por aditivos.

No dia 30 de maio, ou seja, há 3 dias, Diário Oficial publicou decreto assinado pelo prefeito prorrogando por mais 120 dias a suspensão do processo de licitação.

Na gestão anterior, de Mauro Mendes (PSB), ex-prefeito também ventilou a possibilidade de abrir licitação no setor, mas fechou o mandato sem fazer isso.

Gazeta Digital



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