O governador Pedro Taques (PSDB) disse que não vai afastar do cargo o secretário de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) coronel Airton Benedito Siqueira Júnior apontado como mandante do esquema de escutas telefônicas ilegais ao lado do coronel Zaqueu Barbosa, hoje preso.

O governador justifica que não teve acesso ao depoimento da 3ª sargento da Polícia Militar, Andréia Pereira de Moura, no qual cita que o esquema era ordenado pelos dois coroneis. “Nós temos que entender que não podemos julgar as pessoas antes do devido processo legal. Eu não faço isso. Não faço isso com base em delações, não faço isso com base em depoimentos que são tomados não sei em que sentido”, disse após lançamento da 2ª etapa do Avalie MT, nesta quinta (1° de junho), no Palácio Paiaguás.

Nessa linha, diz que a suspensão do secretário das funções seria procedimento judicial. Além disso, reafirma que levou ao conhecimento do Gaeco a denúncia de interceptações telefônicas ilegais quando teve conhecimento e foi arquivada. Segundo Taques, as denúncias que existem seriam fraudadas pelo ex-secretário de Segurança promotor Mauro Zaque.

“O fato é grave. É gravíssimo. Tem de ser investigado, como está sendo investigado. Absolutamente, como eu fiz. Entreguei ao Gaeco imediatamente. Suspensão é um procedimento judicial. Eu não sei se eles (Zaqueu e Siqueira) cometeram esse fato. Em absoluto, não podemos demitir as pessoas com base em notícia de jornal.”

Na última crise do governo, causada pela operação Rêmora, o ex-secretário Permínio Pinto, que era investigado, pediu afastamento das funções, solicitação atendida pelo governador. Ainda não se sabe se Siqueira seguiria a mesma linha a fim de não desgastar a imagem do governo.

Depoimento

O depoimento da sargento Andréia Pereira ocorreu na última sexta (26).  Andréia trabalhava, exclusivamente, na parte de interceptações telefônicas. Além de citar Zaqueu e Siqueira, a  sargento  relata que foi recrutada para realizar os “serviços” pelo então comandante do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), coronel Airton Benedito, entre 2014 e 2015.

Nesta linha, o coronel teria pedido para que ela procurasse o comandante geral da PM, Zaqueu, pois ele teria um serviço na atividade de inteligência. Andréia revela que Zaqueu a atendeu e explicou que ela trabalharia exclusivamente nas  interceptações telefônicas  e apresentou o PM Gerson como o oficial que lhe mostraria como desenvolver o serviço.

A sargento afirma que o imóvel usado para operar as escutas possuía dois quartos. O cômodo usado por ela tinha duas mesas de escritório, dois computadores, fones de ouvido e outro equipamento maior, que aparentava ser uma CPU grande.

Fonte: RDNews

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