“MP não é contrário ao acordo; sugere alterações que serão feitas”, afirmou o governador do Estado

O governador Pedro Taques (PSDB) admitiu a possibilidade de propor alterações no acordo com o Consórcio VLT para retomada das obras do modal, após os ministérios públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) emitirem parecer contrário.

 

Em conversa com a imprensa, nesta quinta-feira (1º), no Palácio Paiaguás, o tucano disse ver que a posição dos órgãos não foi contrária à retomada das obras.

“Quero expressar meu total respeito ao Ministério Público Estadual e Federal. Nosso relatório foi encaminhado a eles, justamente, para que pudessem fazer essas críticas. Veja a diferença entre a administração passada e a nossa. Quando iniciamos os estudos sobre o VLT, o MPE estava presente, fiz várias reuniões com promotor de justiça. Tudo foi acompanhado pelo MPE”, citou.

“Vejo que o relatório do Ministério Público não é contrário, em maneira alguma, ao acordo que firmamos. Eles sugerem algumas alterações e isso será feito”, afirmou.

 

Nosso relatório foi encaminhado a eles, justamente, para que pudessem fazer essas críticas. Veja a diferença entra a administração passada e a nossa

Apesar disso, Taques ressaltou que no relatório o órgão chega a valores semelhantes ao estabelecido no acordo.

O secretário de Cidades, Wilson Santos (PSDB), revelou que o corpo técnico do MP chegou ao número de R$ 920 milhões para retomada das obras. O Governo propôs R$ 922 milhões.

“Eu não vi o relatório. A equipe do MPE o apresentou ontem, estamos analisando, estudando, para que, ao final, possamos falar com a imprensa. Agora, no mesmo relatório, o Ministério Público fez referência a valores exatamente iguais ao nosso”, disse.

 

Patifaria

 

Taques aproveitou a oportunidade para alfinetar os críticos à retomada das obras do modal.

 

Na sessão legislativa de quarta-feira (31), por exemplo, diversos parlamentares criticaram o acordo firmado entre Executivo e Consórcio. E sugeriram votar contra o projeto que autoriza o Estado a contrair um empréstimo de R$ 800 milhões na Caixa Econômica Federal para concluir a obra.

“O que está existindo em Mato Grosso é que aqueles que fizeram a patifaria do VLT no passado, hoje, são contrários. Parece uma brincadeira. Tem pai e irmã do VLT que, agora, são contrários. Jogaram essa bomba aqui e, mas, agora, são contra”, afirmou.

 

“Eu fui contra o VLT. Aliás, a sociedade estava inebriada pelo VLT e agora que estamos buscando consertar rumos, não querem que os rumos sejam consertados. Mas política não se faz com patifaria, se faz com coisa séria”, disse.

Por fim, afirmou que fará o possível para concluir as obras, mas sem jogar o “lixo para baixo dos trilhos”.

“Se eu fosse um governador irresponsável, pegaria os vagões do VLT e jogaria na cabeça de algumas pessoas. Mas não posso fazer isso, porque sou um governador responsável. Tenho que resolver problemas e vamos resolvê-los, mas sem jogar o lixo para baixo do trilho”, completou.

 

O acordo

O acordo foi assinado em março deste ano, após inúmeras reuniões entre o governador Pedro Taques (PSDB), o secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos (PSDB), o controlador-geral do Estado, Ciro Rodolpho Gonçalves, o procurador-geral do Estado, Rogério Gallo, e suas respectivas equipes, com representantes do Consórcio VLT.

 

 

Se eu fosse um governador irresponsável, pegaria os vagões do VLT e jogaria na cabeça de algumas pessoas

Pelo entendimento, o Estado vai pagar R$ 922 milhões para a conclusão integral da implantação do modal.

A previsão, até então, era de que as obras fossem retomadas em maio deste ano com prazo de conclusão total de 24 meses.

Entretanto, no acordo entre Governo e Consórcio, o cronograma das obras prevê a entrega da primeira etapa, em março de 2018, no trecho entre o aeroporto de Várzea Grande até a estação do Porto, em Cuiabá.

Até dezembro de 2018 deverá entrar em funcionado todo o trecho da linha 1, num total de 15 quilômetro, entre o aeroporto e o Terminal do Comando Geral, em Cuiabá.

Já a linha 2, que compreende o trecho de 7,2 km, entre a avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha) e o Parque Ohara, no Coxipó, será entregue até maio de 2019.

 

Para financiar o valor necessário para a conclusão das obras, o Governo obteve sinalização da União de empréstimo de R$ 600 milhões junto à Caixa Econômica Federal, faltando apenas aval da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Dos R$ 322 milhões restantes, o Governo já tem R$ 193 milhões em caixa do empréstimo anterior.

 

O VLT

 

A obra do VLT foi iniciada em agosto de 2012 e deveria ter sido entregue em junho de 2014, antes mesmo do início dos jogos da Copa do Mundo em Cuiabá.

 

Entretanto, os sucessivos atrasos levaram a gestão anterior do Executivo a fazer um aditivo, prevendo o término para 31 de dezembro daquele ano.

Porém, as obras foram paralisadas antes deste prazo, já que o Estado não realizou os pagamentos solicitados pelo consórcio.

 

Desde então, a Gestão Taques vem travando uma batalha judicial por conta de erros encontrados nas obras e até mesmo no contrato.

Midia News

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